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quinta-feira, 1 de novembro de 2012

Moda Lisboa 2012


A  edição da ModaLisboa/Verão 2013 - Lisboa Fashion Week - realizou-se entre 11 e 14 de Outubro deste ano, de 2012, no Pátio da Galé, em Lisboa, onde foram apresentadas as colecções dos designers portugueses para o próximo Verão. A passerelle da ModaLisboa esteve activa, no Terreiro do Paço/Pr. do Comércio, durante quatro dias. Acessível a toda a gente. Foi a 39.ª edição do maior evento da indústria de moda em Portugal.
Saiu do Pátio da Galé, sua sede inaugurada em Fevereiro do ano passado, 2011, e estendeu-se ao MUDE-Museu do Design e da Moda e aos Paços do Concelho, terminando na noite de 14 de Outubro, em clima de festa. Duas dúzias de estilistas nacionais e estrangeiros apresentaram as suas colecções.
A Praça do Comércio, na baixa de Lisboa, junto ao rio Tejo, na zona  onde já se situou o palácio dos reis de Portugal durante cerca de dois séculos, é uma das maiores praças da Europa, com cerca de 36 000 m2 (180mx200m) e, como referência iluminista, é a maior entre as suas congéneres europeias do século XVIII. O projecto foi aprovado pelo Marquês de Pombal, após o terramoto de 1755 e desenhado por Eugénio dos Santos e Carlos Mardel.
O Pátio da Galé ocupa a área onde se situavam o Paço Real e a Casa da Índia. Respeitando a componente patrimonial e histórica do edificado, foi completamente renovado como espaço de uso público. A intervenção, que inclui diversas infra-estruturas, entre as quais a sede da ModaLisboa, reflecte, em simultâneo, a imagem inovadora e vanguardista associada à capital.
No ano em que a ModaLisboa Fashion comemora o seu 20.º aniversário, “Pulse, again and again” foi o tema desta edição - retrato da constante mudança da indústria da moda. 


     

O primeiro dia da edição foi marcado pelos desfiles dos estilistas Ricardo Preto, White Tent e, por último, Filipe Faísca. Os três primeiros desfiles da edição apresentaram fortes tendências de cor e padrões, inspiração nos Jogos Olímpicos e até o poder feminino do século XXI.

      


Entre os desfiles mais concorridos, destacaram-se os das propostas das marcas Adidas e MMC Design Studio ou as dos estilistas portugueses Nuno Baltazar, Luís Buchinho, Dino Alves e Miguel Vieira, entre outros. Foi precisamente com os desfiles destes dois últimos estilistas que o grande evento encerrou a presente edição, que atraiu milhares de visitantes ao longo dos quatro dias.

Ao 4.º dia os protestos contra a austeridade chegaram à ModaLisboa:
O desfile do designer Nuno Gama terminou com manequins a desfilarem de boca tapada por um autocolante, envergando t-shirts que gritavam. "EU QUERO É SER FELIZ". Eles silenciados... com cara triste.









 


Final do desfile de Nuno Gama, 2012, Fotografia Rui Vasco
Não obstante, num esforço de colaboração e pro-actividade - um espírito que deve ser de todos - a colecção, sendo também uma homenagem a Lisboa e virada para o Turismo, era composta ainda de t-shirts em que estavam estampadas frases como: "Lisboa não sejas francesa" ou "Keep calm and come to Lisboa" e imagens de Amália Rodrigues e de corvos, o símbolo da cidade.
A moda é poder de compra, estatuto, matéria-prima e produção. O sector das exportações do têxtil e vestuário português, apesar de tudo, em 2011, cresceu 10%, para mais de quatro mil milhões de euros, sendo o calçado nacional o segundo mais caro e o 11.º mais exportado do mundo. Uma ajuda na dinamização da economia.
A Moda Lisboa traduz o ritmo frenético de uma indústria em constante mudança, no entanto também reflecte o contexto financeiro em que é produzida. E, apesar de ser o espelho da crise, também pode ser um meio de auxílio para sair dela. Exemplo famoso é o excesso de tecido e saias rodadas usados por Christian Dior, que se tornaram memoráveis em 1947, ano do Plano Marshall(*), e que foi, afinal, um expediente para ajudar a indústria têxtil a sair da crise em época do pós-guerra.







(*) - Programa de Recuperação Europeia. Ajuda dos EUA para a reconstrução dos países aliados da Europa, nos anos seguintes à Segunda Guerra Mundial. 









domingo, 12 de agosto de 2012

A chuva que (não) cai... na "calçada portuguesa"!



É a chuva que promete... ameaça... mas não cai!


Chuva

As coisas vulgares que há na vida
Não deixam saudades
Só as lembranças que doem
Ou fazem sorrir

Há gente que fica na história
da história da gente
e outras de quem nem o nome
lembramos ouvir

São emoções que dão vida
à saudade que trago
Aquelas que tive contigo
e acabei por perder

Há dias que marcam a alma
e a vida da gente
e aquele em que tu me deixaste
não posso esquecer

A chuva molhava-me o rosto
Gelado e cansado
As ruas que a cidade tinha
Já eu percorrera

Ai... meu choro de moça perdida
gritava à cidade
que o fogo do amor sob chuva
há instantes morrera

A chuva ouviu e calou
meu segredo à cidade
E eis que ela bate no vidro
Trazendo a saudade.


- Jorge Fernando


Chuva Oblíqua

Atravessa esta paisagem o meu sonho dum porto infinito
E a cor das flores é transparente das velas de grandes navios
Que largam do cais arrastando nas águas por sombra
Os vultos ao sol daquelas árvores antigas...

O porto que sonho é sombrio e pálido
E esta paisagem é cheia de sol deste lado...
Mas no meu espírito o sol deste dia é porto sombrio
E os navios que saem de porto são estas árvores ao sol...

Liberto em duplo, abandonei-me da paisagem abaixo...
O vulto do cais é a estrada nítida e calma
Que se levanta e se ergue como um muro,
E os navios passam por dentro dos troncos das árvores
Com uma horizontalidade vertical,
E deixam cair amarras na água pelas folhas uma a uma dentro...

Não sei quem me sonho...
Súbito toda a água do mar do porto é transparente
E vejo no fundo, como uma estampa enorme que lá estivesse desdobrada,
Esta paisagem toda, renque de árvore, estrada a arder naquele porto,
E a sombra duma nau mais antiga que o porto que passa
Entre o meu sonho do porto e o meu ver esta paisagem
E chega ao pé de mim, e entra por mim dentro,
E passa para o outro lado da minha alma...
(...)

- Fernando Pessoa


Esperança: depois da chuva

E depois da chuva,
caminho pelas poças
com pés descalços...
Alço altos voos pelo meu coração
com uma única certeza:
tenho asas, sou borboleta...
Violetas ali, jasmins aqui...
Tanta beleza
A vida descortina...
Ó sou tão menina!
Pego uma margarida,
e já esqueço a ferida...
Tantas idas e vindas,
tantos sins e nãos,
e meu coração floresce em mim...

Antes da chuva eu era tristeza
Era lagarta em casulo
Em nada via beleza
Era um vazio escuro
Mas depois da chuva
A poeira se apaga
A vida antes era turva
E agora a alegria se propaga.
A chuva no campo e no mar
Muda e alegra meu olhar
A vida tem mais cor
E ali alguém passa a me observar
E começa uma linda historia de amor.

- Joana Darc Brasil & Karla Bardanza (lusopoemas).


Calçada portuguesa (padrão mar largo),